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Slash MAD – o papel como suporte
Por Fabio Memoria
Na visita que fiz ao meu único irmão em NY, aproveitei para dar uma olhada nas novidades da Big Apple.
Entre o ícone amorfo-contrastante da Escola de Design projetada pelo grupo Morphosis e o integrado anos 60 do West 65th Street Project by the famous Diller Scofidio + Renfro (vencedor do concurso para o MIS da Av. Atlântica) no Lincoln Center, minha maior surpresa foi a elegante simplicidade do novíssimo Museum of Arts & Design (MAD) - ex Museum of Arts & Crafts, localizado no Columbus Circle 2.


O edifício por si só já teria valido a pena. Projetado pelo arquiteto Brad Cloepfil, este museu-torre possui características minimalistas.





A massa construída é cirurgicamente perfurada com aberturas verticais e horizontais formando um desenho cubista, principalmente à noite, quando iluminado de dentro para fora.
Apesar dos poucos rasgos para controlar a iluminação das exposições, o volume não é bruto. O efeito de textura de sua fachada suaviza o impacto do edifício, assim como sua curvatura que acompanha o traçado da rótula viária à sua frente.
No térreo, saguão e lojinha de design estilo MoMA. Acima, salas de exposições temporárias e permanentes. Nos andares superiores localizam-se os estúdios e salas de aula. e no topo, um restaurante com vista panorâmica coroa o percurso.


Mas o melhor ainda estava por vir. Para comemorar um ano em seu novo endereço ,lançou uma série de exposições com temas relacionadas a matérias primas básicas, banalizadas e pouco exploradas do trabalho dos artistas. O objetivo do MAD é oferecer ao público uma experiência acessível e interativa do engajamento de artistas e designers na arte contemporânea, transformando esses materiais em objetos belos. Estúdios abertos permitem que os visitantes experimentem os materiais e vejam como os artistas os processam.


A exposição “Slash – paper under the knife” é a terceira da série e tem tudo a ver com o desenho da fachada cortada como se fosse à faca. O papel é a matéria prima de qualquer artista - dos escritores e poetas que redigem em sua superfície aos fotógrafos que imprimem sua visão nesse instrumento. Por ser tão comum e rotineiro não valorizamos seu potencial plástico. Leve, delicado, múltiplo, maleável. São inúmeras as maneiras de utilizá-lo.





Logo no saguão do museu, deslumbra-se a primeira obra, do italiano Andrea Mastrovito, que transformou papel em mar - uma escultura de ponta-cabeça de um navio em oceano revolto. Já na sala da exposição a americana Mia Peralman usou a mesma inspiração da natureza para criar um céu no ambiente.





Anne-Karin Furunes, Noruega, destaca-se por seus rostos formados por centenas de furos de tamanhos diferentes no papel preto, que de perto se perdem em um borrão. É impressionante a clareza da imagem quando se toma distância e a perfeição das sombras sobre os rostos dos personagens.





O alemão Oliver Herring apresentou um trabalho impressionante e muito original intitulado foto-escultura. Uma figura humana em verdadeira grandeza recoberta por inúmeros pedaços de papéis coloridos que proporcionam um tom hiper-realista. O homem esculpido com tais fotos passa a interpretação da formação do ser humano por pedaços de sua história ou por personalidades diversas.





Cansado de jogar tinta no papel, o germano-americano Andreas Kocks resolveu transformar papel em tinta. Com esse efeito visual incrível, lambuzou as paredes do retilíneo MAD contrastando seu resultado orgânico com a rigidez da arquitetura do museu.





Mas os grandes destaques (como não podia deixar de ser) foram os artistas que nos levaram a uma leitura quase arquitetônica de suas obras.
O já famoso dinamarquês Olafur Eliasson (autor de “The Weather Project”, instalação na Tate Modern em Londres) gosta de explorar a percepção humana. Ele utilizou a estrutura de um livro em branco para 'escrever' sua arte através da faca e utilizou uma construção para contar a história: “Ler um livro é tanto físico como mental. É como andar por uma casa, seguindo o layout dos cômodos com seu corpo e mente: o movimento de um cômodo para o outro, ou de uma parte do livro para outra, consiste numa experiência narrativa que é física e mental ao mesmo tempo”, metaforiza o artista. O corte na construção vai caminhando à medida que o ‘leitor’ passa a página.





Já a dupla de arquitetos alemães que formam o Saraben Studio teve uma interpretação ligeiramente diferente, utilizando-se do mesmo elemento livro. Suas ‘escavações’ no papel dão tridimensionalidade aos desenhos que remetem a tecidos urbanos ou edifícios. A ideéia é transcender a bi-dimensionalidade do desenho arquitetônico.





A exposição é um prato cheio. Vale a pena conferir, até porque todos os artistas que não foram citados também possuem obras de extremo bom gosto, com diferentes visões/ interpretações do tema.


Nota Ignez: Também fiquei fascinada pela exposição, pois sempre adorei o papel como suporte - das gravuras (leiam as entrevistas com Rizza Conde e Thereza Miranda)aos cortes à laser, como as luminárias de Tord Boontje. No Brasil a múltipla artista Analu Prestes faz um trabalho maravilhoso em cutout paper.
 
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