Ignez Ferraz, arquitetura & design  
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IT Nipônico - Um toque oriental no seu lar
Por Ignez Ferraz
A touch of nipponic style ( for your home) in your life



Ao desenhar a mesa Liana tive a preocupação de usar dois niveis: um com apenas 20 cm de altura para ter um 'ar japa', e outro com 40 cm, possuindo bandejas deslizantes e removíveis para ser mais prática. Apoie-a sobre um simples tapete redondo vermelho e contraste-a com uma lanterna pendente 'quase original', comprada em redutos nipônicos paulistas.


Para quem curte histórias orientais, aproveite estas dicas (que mesclam o antigo e o novo), incorporando nos seus ambientes um pouco destes ITs nipônicos.
Mas atenção: apenas ALGUNS. Incluir todos só se você tiver pai E mãe japoneses!


Um chôchin é uma lanterna de papel dentro da qual se insere uma vela, proporcionando uma luz quente e aconchegante, como esta na foto acima. Vocês podem utilizá-la num canto da sala ou do quarto, pendente sobre a mesa lateral ou de cabeceira.
As luminárias de papel continuam em alta (utilizem lâmpadas que transmitam uma atmosfera similar à da vela), mas as mais atuais são brancas e volumosas. Muitas vezes utilizadas em dupla- como focalizadas no artigo “Personalidade” - ficam imponentes sobre a mesa de jantar ou numa sala com dimensões extra-generosas. Um super IT!




Dupla de esferas “poderosas”, sobre mesa de jantar da Cappellini, marca italiana também MUITO “poderosa”.


Quem NÃO viu “Lanternas vermelhas” de Zhang Yimou? Este típico elemento oriental, além de fornecer uma claridade sedutora, cai de charme. Que tal estas da foto, numa releitura mais clean, com dimensões e formato para serem usadas sobre o piso?





Mas nada impede que sua preferência recaia apenas numa “vaga” lembrança oriental – a cúpula supermoderna de Masanori Umeda, um dos melhores designers do país. Apesar de não ser um produto artesanal, possui estas características no seu conceito estético.
Nota: Umeda é parceiro do badalado Shiro Kuramata em alguns produtos como os singelos “Gabinetes Imperiais”.





Um noren (cortina de pano para proteger do sol e do vento) é normalmente encontrado em áreas comerciais, com palavras ou desenhos referentes ao estabelecimento. Ficaria surpreendente e inovador na parede, substituindo um quadro. Neste caso a escolha deveria recair sobre um desenho que nos remeta à natureza – a não ser que você saiba EXATAMENTE o que está escrito nele. Agora, por favor, não coloque MAIS NADA nesta parede!




Os norens mais ricos, em seda ou crepe, são os kaja noren, utilizados por noivas no quarto, no dia das suas núpcias.


Mais longos, ocupando todo o pé direito, estes panos podem funcionar como divisória leve de ambientes. Neste caso, daria preferência ao branco translúcido (podendo até incluir discretos desenhos geométricos num branco opaco). Mas os coloridos...
Quem NÃO viu “Amor e sedução” com a musa Gong-Li?





Renji-mado é um trabalho executado nas esquadrias com ripas de madeira vazadas, para que o som do shamisen (descubram seu significado em “Gueixas de Hokusai”) possa ser apreciado pelos passantes.


Foi minha inspiração para o desenho destes brises-soleil para o Edifício à Rua Alberto de Campos (veja mais detalhes desta obra duplamente premiada – IAB e Servenco). A finalidade, porém, foi outra: privacidade visual e movimento na fachada.





Ninguém emprega tão corretamente portas de correr (shöji) quanto os japoneses. A maioria é executada com leve renji-mado , conjugado ao papel ou tecido. Além de refletir a flexibilidade e funcionalidade da sua arquitetura, estes materiais permitem a introdução de uma luz soft que nos conduz à delicadeza de gestos.





As portas de correr são também utilizadas para dividir os ambientes.
Uma boa idéia inspirada neste movimento seria o uso de pequenas prateleiras deslizantes para esculturas, cerâmicas ou vidros, fixadas numa barra simples horizontal sobre a divisória, como esta abaixo que idealizei para a da Mostra "Morar mais por menos". Sobre a barra foram ainda apoiadas obras em papel como fotos e gravuras.
Os orientais possuem um Know-how ancestral sobre as técnicas de gravação - a China já imprimia sobre pergaminho no séc II A.C.




Vermelho é uma cor atraente (veja seu efeito nestes vidros de Claudia Ferraz. Outras composições é só olhar na nossa “Sala Mutante”). Além dele, o branco e o preto são as cores historicamente tradicionais no Japão. Para eles, o uso de poucas cores exprime severidade, clareza e simbolismo.


Não disse que era uma boa idéia? Aliás, agora estou achando ela ótima!


Quanto ao mobiliário, nossos nipônicos utilizam vários tipos de fura-dansu (gabinetes), apresentando modelos específicos para guardar dinheiro ou papéis importantes (kakesuzuri), caixas para documentos de negócios (chöhaku), cômodas para roupas (hanbitsu).
Sugiro este tebunko, pequeno gaveteiro para papéis de carta (vocês podem dar outras finalidades), que, por coincidência (ou não!) possui sete gavetas, como as settimanales italianas (projetei uma destas para um Closet masculino).
Outra opção seria um robusto baú (nagamushi). Lembrem-se que em ambos os casos, o restante do ambiente deverá ser absolutamente neutro.




Tebunko e nagamushi que podem ser usados na sua casa.


Caso oposto da mesa Liana (foto de abertura), que como é totalmente clean, pode dialogar com idéias mais ousadas como um tapete circular vermelho (nos remetendo à bandeira japonesa), no lugar do típico tatami.


Além desta mesa, penso que outros projetos meus possuem uma referência oriental, principalmente a mesa Teo e o bufê EcoSlim.




A mesa Teo lhe parece uma sonda espacial?




Bufê EcoSlim ambientado na loja Neo Design em Belo Horizonte.



Substituindo as poltronas, almofadas desdobráveis (tipo “livro”) com os mesmos acabamentos dos futons. Dobradas poderiam servir como pufes, e abertas, mais baixas, acompanhariam um bom sushi ao redor da mesa de centro (que pode ser até rotativa como a ). Aposto que Virgínia e Eduardo, os “bambambãs” desta técnica há 20 anos, os executariam “numa boa”.


Não se esqueçam de vestir as confortáveis soul wears - espécie de quimono-pijamas ocidentalizados, fabricados pela firma paulista “Dormir pra despertar”. (Nós os utilizamos no nosso Espaço do Corpo. Leiam a dica Brasilidade Zen.)


Cerâmica é a matéria-prima mais encontrada nos utensílios e objetos decorativos, como este vaso branco texturizado sobre a mesa Liana. Sabem de quem é a autoria? Da excelente artista plástica chilena Mariana Canepa, amiga e cliente (veja a matéria “Espaço para sonhar” sobre o quarto que idealizei para sua filha). Além de compor meus projetos com suas obras - inclusive substituindo quadros -, também as utilizo nos meus lançamentos de mobiliário como a linha para a Way Contemporânea.


Obs: Fui a primeira designer contratada da Way (veja matéria do caderno ELA – “Made in” Brasil) e de outras lojas, como a Finish e a Acqua Design.


E os copos-de-leite? Vocês acham que foram escolhidos assim ao acaso? Então reparem abaixo quão representativos eles são na ideologia nipônica: o encontro entre a capacidade de ocidentalizar sua sociedade e a preservação de sua identidade.
Talvez por isso sejam tão bem recebidos em todo o mundo.


----------------------------PALMAS PARA ELES!-------------------------------




Obs: Minha homenageada Chean é a nossa esbelta e craque luminotécnica, que responde pelas belíssimas luminárias da DOMINICI e LA LAMPE. Fui sua parceira em interiores residenciais e Mostras como Artefacto e Morar mais por menos 05.
Mas não é só isso: ela é também arquiteta apaixonada por Arte. Foi na sua bela loja-conceito em Ipanema que assisti o ótimo Curso de Arte Contemporânea. E foi ela que me ensinou que japonês é muuuuito mais fácil (ou menos difícil, talvez) que chinês, a língua que eu queria aprender este ano. Agora, Chean, fiquei na dúvida : aprendo japonês ou alemão? (Sei que ela adora este idioma quando é bem falado.)


P.S. Recebi, por e-mail, este simpático agradecimento da Mariana:


Querida Ignez,


Obrigada pela lembrança. Agora com mais tempo pude ficar olhando o seu excelente site, inspirador, e com certeza passarei para muita gente, além do que seu trabalho mais uma vez se mostra superior. Você cita Vitória e por este motivo estou te mandando esta matéria, já que acabei de voltar de lá. Não tive muito tempo de conhecer a cidade, mas pretendo voltar em Junho para dar um Workshop na Ufes sobre meu trabalho e aí terei tempo para passear.


Beijos
Mariana



Mariana expõe no Espaço Cultural Egydio Antônio Coser até 31 de julho, suas principais séries, nos 20 anos de trajetória - Contorno, Paisagens, Quilhas do Tempo, Duplo Topo e Entre Lascas.


Já Chean me ligou na véspera de uma viagem à Londres para dizer que quer tirar uma foto comigo: ela vestida de chinesa e eu de japonesa. Promessa para mim é dívida, Chean...te aguardo!
 
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