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Josh Harris, Milton Glaser – So close, So far
Por Ignez Ferraz
O que dois geniais americanos – o comunicador Josh Harris e o designer gráfico Milton Glaser têm em comum? Eles amam a Big Apple!
What else? NOTHING else!


Dois (bons) documentários sobre suas obras (e com a ‘cara’ dos protagonistas) preencheram meu primeiro final de semana dedicado ao Festival 2010:


“WE LIVE IN PUBLIC” foi filmado durante mais de 10 anos por Ondi Timoner (Grande Prêmio de documentário em Sundance 2009) e traça a trajetória fulminante de ascensão e queda do californiano Josh Harris, webvisionário, milionário aos 30 anos.

A câmera é trepidante, filmando de todos os ângulos, muitas vezes em preto e branco, lembrando o clima das “Bruxas de Blair”.





Mudou-se para Nova York em 1984 com apenas poucos dólares no bolso, para trabalhar no mercado emergente e promissor da Internet. Dois anos depois fundou a Jupiter Communications, promovendo chats online, bem anteriores ao Orkut ou Facebook.
Em 1994 inventa a Pseudo, com programas de TV ao vivo - o pessoal do YouTube ainda era criança. Acreditava que desbancaria a CBS e outras cias. Trabalhava com cerca de 300 funcionários, deixando-os livres e considerava-se um artista, promovendo big festas à la Warhol.


Pensando em se aproximar das pessoas, criou um alter ego - o palhaço Luvvy – mas que apenas assustava.





Aparecia fantasiado nas horas e locais mais impróprios, o que o levou a ter que se retirar da própria empresa, avaliada em 80 milhões de dólares.

No final de 1999 criou sua experiência mais inusitada, baseada em voyeurismo e exibicionismo, afirmando ser uma tendência da humanidade, antecipando o que viria a ser o formato dos realities shows como Big Brother. (Inspiração no “Show de Truman”de 1998?)





Construiu um bunker underground na Broadway 353, com mais de 100 cápsulas como nos aeroportos japoneses e cerca de 100 webcams, retirando toda e qualquer privacidade das cobaias, que seriam filmadas 24 horas por dia, além de interrogadas de forma humilhante. Tudo era pago pelo idealizador, inclusive o acesso às drogas e armas. Seu dinheiro escorria como areia pelos dedos da mão...


O que no começo parecia uma farra, aos poucos foi tornando-se sufocante e desesperador até que na virada do ano 2000 a polícia interveio.


Sem aprender a lição, Josh propôs uma experiência semelhante à Tanya, única namorada em toda sua vida, onde o casal seria vigiado por câmeras e por milhares de pessoas all over the world, que davam palpites na relação. Um mês depois Tanya o abandona e Josh, sem dinheiro e sem rumo, desaparece por três anos, até ser encontrado solitário, numa fazenda plantando maçãs.


Em 2005, com o boom da Internet, volta à metrópole e tenta associar-se ao novo astro do momento – MySpace – que o renega. Assim como sua mãe.


MILTON GLASER: To inFORM & deLIGHT


Com este interessante título, retirado de uma frase do protagonista full time sobre a melhor definição da função da ARTE, Wendy Keys realizou em 2008 um documentário simples e objetivo. Câmera parada, foco nos interlocutores alternando com os inúmeros trabalhos realizados por Glaser – logomarcas, livros (muitos desenhos-releituras de ídolos de outros séculos como Piero de la Francesca), tipografias que nos remetem ao construtivismo russo, capas de discos.


Não se importa com os rótulos de designer, artista, ilustrador. Sabe apenas que nunca quis ser um artista plástico, mas fazer uma obra que pudesse ser multiplicada e vista por um grande número de pessoas.


O nome de Milton Glaser é muito menos conhecido do que a marca que criou para a cidade do seu coração - Nova York – mas da qual nunca ganhou um tostão (ou melhor, dólar).





Sua interação com a música era intensa, tanto que estudou na “Music and Art”, onde ainda mantém estreita ligação. Posteriormente cursou a “Cooper Union”, hoje transmutada num belo projeto do grupo Morphosis.





Também mantém o mesmo escritório (bagunçado) desde a época do PishPin Studio com Clay Felker, onde publicavam uma pioneira revista na década de 60 - New York Magazine - sobre ‘o que fazer e onde ir’. Tinha predileção pela gastronomia e experimentava pequenos restaurantes em locais não muito badalados – até hoje um dos seus maiores prazeres, já que sua mãe cozinhava muito mal (bolo de macarrão assado, frito e fatiado era a refeição corriqueira).


Sabe que a concepção é solitária, mas o desenvolvimento coletivo, por isso o prefere, assim como aprecia lecionar. Já teve cerca de 100 funcionários, mas gosta do seu atual studio mais reduzido.


Uma das histórias mais curiosas do filme foi sobre o artista belga Jean-Michel Folon (1938-2005), que se mudou para NY em 1969. Conviveram por duas décadas, sem Glaser falar francês ou Folon inglês. Em 1983 lançaram o livro “Graphic Design: Graphic design”, onde o início do desenho de um era finalizado pelo outro, num diálogo mudo – sucesso de vendas.


'Et toi mon coeur pourquoi bats - tu'
© Folon 1983


Octagenário tranquilo, passa a imagem de quem soube lidar com a vida. Casado desde sempre com a mesma mulher, mora numa reservada vila inspirada pela de Monet, cercado de obras de Arte, onde sobressaem esculturas africanas.


Dois artistas geniais, com destinos tão diversos...e tão opostas origens familiares e sociais!


Judeu nascido no Bronx, Milton tornou-se popular desde muito jovem entre os amigos do bairro, pois tinha um dom especial: sabia desenhar – e muito bem! Nunca imaginou, porém, que este talento que lhe foi ofertado ao nascer, o faria sobreviver – e muito bem!


E a infância do gênio louco Josh Harris?
Caçula de sete filhos, criado pela mãe ausente assistindo TV durante 8 horas por dia (e amando Gilligand’s Island, cujos personagens ele considerava sua família), Josh cresceu como um garoto nerd, sem amigos.


Onde ele se encontra agora?
Refugiado na Etiópia, ensinando basquete para meninos pobres.


WILL HE EVER COME BACK?
 
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