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A poesia de Elisabeth Veiga
Homenagem a LIZZE, por Ignez ferraz
OS POETAS DE DENTRO
A Ignez Ferraz


Bichos da seda,
antenam clarões de lua
com as manivelas do espanto.
Elétricos, acrobatas de dentro,
fervilham música
nos escaninhos
onde a imaginação põe
vôos.
Alienígenas ligeiros,
escapolem (brinquedos
de si mesmos) a lupas,
praças, dicionários.
Pequenas fábricas de joie de vivre,
silenciosos como se pusessem
gotas de guizos no mundo.



Será que alguém consegue imaginar a minha emoção ao folhear o último livro (Sonata para Pandemônio) da minha “ídola”-poeta Elisabeth Veiga, encontrar uma poesia dedicada a mim?
Sua singela explicação: “Poeta não é só quem escreve versos, é, também, quem possui uma espécie de antena sensível, afinada, criativa, que faz com que compartilhem do poema. É para essas pessoas que se fazem livros” .
CARAMBA!





Outra emoção deste porte eu tive quando recebi de aniversário - há muitos e muitos anos - esta aquarela do Secchin, pois sabia o quanto eu adorava esta técnica que ele já havia abandonado. Escolhi-a para ilustrar este artigo pois Guilherme é casado com Solange Casotti, também uma poeta. Não é curioso? (Leiam sobre a dupla no artigo “Ventanias”).


Bem, como não tenho palavras para exprimir o que os versos de Lizze significaram para mim e o que Elisabeth Veiga significa para a nossa literatura poética, cedo o espaço para a inquestionável Heloisa Buarque de Hollanda:


“Elisabeth Veiga é, reconhecidamente, uma das mais importantes poetas da atualidade. Pouco afeita a grupos e a estreitas definições de estilos ou outras classificações poéticas, Elisabeth já havia marcado época em 1972, com o lançamento de Gôsto de Fábula. Vinte anos mais tarde, com um perfil mais livre e multimodulado, publica A Paixão em Claro (1992), obra com a qual consolida seu lugar na primeira linha da poesia brasileira contemporânea.
Agora ressurge com Sonata para Pandemônio, uma espécie de síntese para os anteriores e, surpreendentemente, o mais dissonante dos seus livros. Uma obra inventiva, quase-barroca, dotada de carpintaria formal exigente e, sobretudo, uma obra que explora, com radicalidade, o humor ácido e a voz própria, original e intransferível da poeta.”


P.S. Lizze era amiga de Carlos Drummond de Andrade (A-M-I-G-A, repito, não sem deixar escapar uma ponta de ciúmes de outro ídolo que jamais conheci). Não sei se ela lembra, mas pedi-lhe uma ajuda para elaborar um trabalho sobre ele quando cursava o Científico no Andrews – há muitos e muitos E muitos anos. Eu havia lido toda a obra poética do Drummond publicada até então, mas... ela teve tanto para acrescentar e me ensinar!
Sou-lhe grata até hoje, porque talvez, a partir daí, pude afinar meus sentidos para melhor apreciar os grandes poetas como ela.


Nota: Recebi da Lizze o livro “Puentes” -Poesia argentina e brasileira contemporânea - como forma de agradecimento pelo artigo, com uma emocionante dedicatória:


Querida Ignez


Estou sem palavras, com o artigo da Internet nas mãos, e o coração procurando um adjetivo que seja tão grande e expressivo para caber num sentimento maior que o dicionário.



Lindo, não?
Vou reproduzir uma de suas poesias selecionadas para esta antologia. Optei pela versão em espanhol, para mostrar-lhes a sonoridade de suas palavras mesmo em outro idioma.


LA TINTA SECA


Escribo y la tinta seca,
seca, exacerbada rasga el papel.
Continúo escribiendo aunque
ni yo misma lea.
Precionando, la lapisera
rasga lo que ya está rasgado.
Continúo escribiendo sin una palabra,
escribiendo, escribiendo a la sombra
de mi mano sobre el papel.


El blanco, al final, me rasga.



E para quem quiser conhecê-la um pouco, sussurra em AUTO-RETRATO:


Quem quiser me ouvir,
que me ouça em segredo.
Eu tenho nervos de papel de seda.
 
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